Maria, atende as nossas necessidades!

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Maria, atende as nossas necessidades!

A Palavra meditada está em São João 2,1-12:
No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava lá. Também Jesus e seus discípulos foram convidados para o casamento. Faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm vinho!” Jesus lhe respondeu: “Mulher, para que me dizes isso? A minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei tudo o que ele vos disser!” Estavam ali seis talhas de pedra, de quase cem litros cada, destinadas às purificações rituais dos judeus. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”! E eles as encheram até à borda. Então disse: “Agora, tirai e levai ao encarregado da festa”. E eles levaram. O encarregado da festa provou da água mudada em vinho, sem saber de onde viesse, embora os serventes que tiraram a água o soubessem. Então chamou o noivo e disse-lhe: “Todo mundo serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já beberam bastante, serve o menos bom. Tu guardaste o vinho bom até agora”. Este início dos sinais, Jesus o realizou em Caná da Galileia. Manifestou sua glória, e os seus discípulos creram nele. Depois disso, Jesus desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. Lá, permaneceram apenas alguns dias. 

O milagre das Bodas de Caná têm detalhes que não podemos deixar de prestar muita atenção. Olhemos a riqueza deste Evangelho, que não está apenas na transformação da água em vinho.

No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava lá. Também Jesus e seus discípulos foram convidados para o casamento.

Jesus não morava mais com Sua Mãe. Seu ministério já estava acontecendo, Cristo tinha Seus seguidores, pois a Palavra diz que Ele e Seus discípulos foram convidados para a festa. Porém, Jesus ainda não havia operado nenhum milagre que o promovera e foi Maria, aquela que deu o ‘pontapé’ inicial na vida pública de Seu Filho.

“Mulher, para que me dizes isso? A minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei tudo o que ele vos disser!”

 Chamar de mulher era um sinal de respeito naquela época. Jesus sabia que ainda não era Sua hora, porém, ao pedido de Sua Mãe [que provoca o milagre], Ele fica numa posição de ‘não se tem o que fazer’ e opera o milagre naquela festa. Maria chamou toda a atenção para Jesus.

Nossa Senhora percebeu a necessidade daqueles noivos e pediu a Jesus o milagre. Apesar de não ser a Sua hora, Ele não nega o pedido de Sua Mãe. Maria pode antecipar a hora de Deus em nossa vida.

Com Nossa Senhora, aquilo que parece não ter solução, acontece, pois com Maria, Jesus antecipa a hora do milagre. Ela também nos diz: ‘Faça o que Ele vos disser’, por isso, nossa atenção se redobra a ouvir Jesus na oração, numa música, na Palavra.

Então chamou o noivo e disse-lhe: “Todo mundo serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já beberam bastante, serve o menos bom. Tu guardaste o vinho bom até agora”.

 Quando pensamos que as coisas estão acabando, que nada tem solução, deixando Jesus e Maria entrar, o melhor está por vir. Proclamemos em nossa vida: O melhor está por vir.

Esse ‘melhor’ está condicionado a dois fatores: em Maria perceber que está faltando o vinho [e Ela perceberá] e em fazer o que Cristo nos diz.

Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”! E eles as encheram até à borda.

Busquemos a Palavra de Deus em nossas vidas! Em tudo o que fizermos em oração, escutemos a voz de Deus. Assim que passarmos a fazer tudo o que Ele nos disser, o milagre acontecerá em nossa vida.

Não existe a lei do menor esforço para as coisas do Senhor. Ele quer que façamos nossa parte para o milagre acontecer. A prova do nosso esforço e do nosso trabalho é o milagre. Se fizermos o que Ele nos disser, a pedido de Nossa Senhora, viveremos os melhor em nossa vida.

As crises existem e sempre existirão, mas tenhamos fé, pois Maria está em nossa festa, atenta ao que acontece e falará com Seu Filho. Saiamos da zona de conforto e depois de um tempo, o Senhor nos fará provar do nosso trabalho e já não será mais água e sim vinho.

Dunga
Missionário da Comunidade Canção Nova

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Crer, esperar e amar

Aprenda a crer, esperar e amar

Às vezes acontecem coisas em nossas vidas que nos questionam profundamente: a perda de uma pessoa querida, uma injustiça, uma doença, uma traição, a falta de emprego, etc. Podemos ter a sensação de que Deus nos abandonou ou que não encontramos sentido ou forças para seguir adiante.

crerMas são nestes momentos que a força de Deus atua mais. Precisamos voltar o nosso o olhar para Ele e vermos além, enxergar aquela luz no fim do túnel. Quem sabe esteja nos faltando crer, esperar e amar mais.

Crer nem sempre é fácil. É preciso ter valor e pedir ao Espírito Santo que nos dê a luz, especialmente nos momentos em que não enxergo bem.
Esperar também não é nada tranquilo. É muito mais fácil inquietar-se, temer ou desanimar-se do que esperar. Esperar é dar crédito.

O amor ainda mais difícil, principalmente quando somos convidar a amar incondicionalmente, inclusive aqueles que nos causam dor e sofrimento. Outro dia conheci a história de uma mãe que tem dois filhos em prisões diferentes. Ela acorda todo domingo bem cedo e passa o dia visitando-os, levando comida e carinho. De forma semelhante, mas ainda mais pleno, é o amor de Deus por nós.

Viver essas virtudes é exigente, mas são elas que nos permitem passar por qualquer situação e alcançar a felicidade plena. São como os três alicerces da vida cristã. Ser cristão é na essência isso: crer em Deus, esperar tudo dEle e querer amá-Lo e ao nosso próximo de todo o coração.

E como aprender a crer, esperar e amar? Proponho mergulharmos na experiência de um dos primeiros cristãos, que certamente nos identificaremos bastante: Pedro.

Aprender a crer: vocação de Pedro e dom da fé

O momento em que Pedro começa o seu aprendizado é o encontro no lago de Genesaré, onde Jesus realiza o milagre da pesca e o convida a segui-Lo (ver. Lc 5, 1-11).

Crer nem sempre é fácil. É preciso ter valor e pedir ao Espírito Santo que nos dê a luz, especialmente nos momentos em que não enxergo bem.

A fé de Pedro é colocada à prova e ele experimentará uma tristeza enorme no momento mais terrível de sua vida: a traição a Jesus. Aquele que tinha uma fé aparentemente inabalável, que dizia que nunca abandonaria o mestre (mesmo que precisasse morrer), se depara com sua miséria e pequenez e abandona Jesus no momento em que Ele mais precisava dele.

Pedro olha para Jesus e nesse olhar descobre o horror de sua traição e toda a sua miséria, mas ao mesmo tempo percebe que não está condenado, que a misericórdia do Senhor é infinita e que existe para ele a esperança de levantar-se e ser salvo. Afunda-se em lágrimas e com isso começa a purificar o seu coração. Sua sorte foi aceitar cruzar o seu olhar com o de Jesus. Diferente de Judas, que deixou-se levar pelo desespero…

Uma mudança decisiva aconteceu na vida de Pedro: passou da confiança em si mesmo à confiança em Deus, da presunção à esperança.

Aprendemos a esperar quando somos radicalmente pobres, quando reconhecemos que somos débeis e frágeis, quando a nossa confiança está muito mais em Deus do que em nós mesmos: “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. (Mt 5, 3)

Uma oração de esperança que podemos rezar todos os dias é a seguinte: o que eu não sou capaz de fazer por minhas próprias forças, espero de Ti, meu Deus, não em virtude dos meus méritos, já que não possuo nenhum, mas em virtude de Tua grande misericórdia.

Aprender a amar: Pentecostes e o dom da caridade

Pentecostes foi para Pedro e os outros discípulos uma grande efusão do Espírito, que encheu os seus corações da presença divina e os uniu intimamente a Cristo e tendo como um dos frutos mais belos a valentia para amar.

Pedro recebe uma força do alto, a força da caridade que o impulsiona a dar testemunho de Deus diante dos homens, sem medo, inclusive alegrando-se por sofrer por Cristo (At 5,41). Esse amor é levado ao extremo. Ele dá a vida por Cristo e o Evangelho crucificado de cabeça para baixo. Um Pedro muito diferente do da Paixão…

O amor, como nos fala São Paulo é a mais importante das virtudes. “À tarde te examinarão no amor”, dizia São João da Cruz. Das três virtudes a única que nos acompanhará no céu é o amor. A fé será substituída pela visão, a esperança pela posse, mas o amor permanece para sempre e em plenitude.

Como aprender a amar cada dia mais? Rezando e servindo. Ser ao mesmo tempo Marta e Maria.

Na oração entramos mais em contato com Deus e com o nosso interior e somos transformados por Ele para amarmos de verdade. E esse amor faz-se concreto no serviço. Reze e sirva mais e verá como o seu coração será grande e já não terá muito espaço para outras coisas: mágoas, egoísmos, inveja, etc. O amor cura tudo!

Uma oração para crescer no amor: Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!

Crer, esperar e amar com Maria

Ao longo da meditação, vimos algumas pistas de como aprender a crer, esperar e amar. O modelo mais seguro para seguirmos é Maria. Ela viveu essas virtudes em plenitude. Ela estará sempre presente quando nos falte a fé, esperança e a caridade.

Peçamos a Maria que nos ensine e acompanhe no crescimento destas três virtudes, para que cada dia sejamos semelhantes ao seu Filho.

 

 

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Deus salva sendo pequeno e próximo

papa_missa-na-poloniaPapa na homilia, enfatizou três características de Deus e de Maria

O Papa Francisco presidiu na manhã desta quinta-feira, 28, a primeira Missa em terras polonesas, no Santuário mariano de Jasna Gora, em Czestochowa. Chegando de papamóvel, saudou uma dezena de pessoas doentes e cadeirantes que o aguardavam na entrada.

Um susto logo no início da celebração: ao subir os degraus do altar, o Papa caiu, mas logo foi ajudado e pôde presidir a celebração normalmente.

Um dos lugares de culto e peregrinação mais importantes do país, o Santuário abriga a imagem da Virgem Negra, venerada por milhões de peregrinos todos os anos. Segundo a tradição católica, ela foi “pintada por São Lucas e apresenta o verdadeiro rosto de Maria”, embora especialistas assegurem que o ícone é bizantino e datado entre os séculos VI e IX.

A Virgem Negra

Antes de presidir a Missa, o Pontífice rezou brevemente na capela diante desta imagem, que apresenta algumas rachaduras provocadas por atos de vandalismo no século XV. Obedecendo uma tradição iniciada por Paulo VI, Francisco deixou à Virgem uma rosa de ouro.

Cerca de 300 mil pessoas entoavam cantos e orações no parque do Santuário, à espera do Papa. Centenas de bispos e sacerdotes de várias nacionalidades concelebraram a Missa, que recordou os 1050 anos do batismo da Polônia, a conversão do país ao cristianismo. O presidente do país, Andrzej Duda, e várias autoridades, também estavam presentes.

A Eucaristia foi celebrada em latim e polonês. A homilia do Pontífice foi lida em italiano e se concentrou em três conceitos: pequenez, proximidade e concretude de Deus e de Maria.

“Deus prefere encerrar-se no que é pequeno, ao contrário do homem que tende a querer possuir algo sempre maior. Deixar-se atrair pelo poder, a grandeza e a visibilidade é tragicamente humano; já o Senhor prefere os pequeninos, porque se opõem ao ‘estilo de vida orgulhoso’ que vem do mundo”.

Francisco também destacou que Deus é próximo, ou seja, não quer ser temido como um soberano poderoso e distante, mas gosta de caminhar com o homem. E a terceira característica é a concretude. “O Verbo se faz carne e o Eterno se comunica transcorrendo o tempo com pessoas e em situações concretas”. Nesta ótica, o Papa recordou a importância da fé na família, de pai para filho e, sobretudo, pelas mães e as avós, “a quem muito devemos agradecer”.

Maria: pequena, próxima e concreta

Depois de falar de Deus, o Papa atribuiu as mesmas características à Virgem Maria: é pequena, próxima e concreta. “Maria é a escada que Deus percorreu para descer até nós; é Ela o sinal mais claro da plenitude do tempo”.

Como explicou o Papa, Maria tem aquela pequenez amada por Deus, que pôs os olhos na humildade da sua serva e exaltou os humildes. Ela também é próxima, uma vez que ajuda o homem a descobrir o que falta à plenitude de sua vida. E por fim, a concretude. “Maria tem a peito os problemas e intervém, sabe identificar os momentos difíceis e dar-lhes remédio com discrição, eficácia e determinação. Não é patroa nem protagonista, mas Mãe e serva”.

Espelhar-se em Maria

Na conclusão da homilia, o Papa convidou todos a se espelhar na sensibilidade e imaginação de Maria ao servir quem passa necessidade, a dedicar a vida pelos outros sem preferências nem distinções, agindo na pequenez e acompanhando-os de perto, com coração simples e aberto.

JMJ

Francisco visita a Polônia por ocasião da Jornada Mundial da Juventude 2016. Antes da Missa, visitou o  Convento das Irmãs da Apresentação. Após a Missa, ele voltou para Cracóvia onde, logo mais, às 12h30 (em Brasília) participa da cerimônia de acolhida pelos jovens, no Parque Blonia.

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MISSA NOS 1050 ANOS DO BATISMO DA POLÔNIA

PapaFranciscojmj1Na primeira missa da JMJ2016 na Polônia as leituras desta Liturgia emerge um fio divino, que passa para a história humana e tece a história da salvação.

O apóstolo Paulo fala-nos do grande desígnio de Deus: «Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» (Gal 4, 4). A história, porém, diz-nos que, quando chegou esta «plenitude do tempo», isto é, quando Deus Se fez homem, a humanidade não estava particularmente preparada, nem era um período de estabilidade e de paz: não havia uma «idade de ouro». A cena deste mundo não era merecedora da vinda de Deus; antes pelo contrário, já que «os seus não O receberam» (Jo 1, 11). Assim a plenitude do tempo foi um dom de graça: Deus encheu o nosso tempo com a abundância da sua misericórdia; por puro amor – por puro amor –, inaugurou a plenitude do tempo.

Impressiona, sobretudo, o modo como se realiza a entrada de Deus na história: «nascido de uma mulher». Não há qualquer entrada triunfal, qualquer manifestação imponente do Todo-Poderoso. Não Se manifesta como um sol ofuscante, mas entra no mundo da forma mais simples, chega como uma criança através da mãe, com aquele estilo de que nos fala a Sagrada Escritura: como a chuva sobre a terra (cf. Is 55, 10), como a menor das sementes que germina e cresce (cf. Mc 4, 31-32). Assim – ao contrário do que esperaríamos e talvez quiséssemos – o Reino de Deus, hoje como então, «não vem de maneira ostensiva» (Lc 17, 20), mas na pequenez, na humildade.

O Evangelho de hoje retoma este fio divino que atravessa delicadamente a história: da plenitude do tempo passamos ao «terceiro dia» do ministério de Jesus (cf. Jo 2, 1) e ao anúncio da «hora» da salvação (cf. v. 4). O tempo restringe-se, e a manifestação de Deus acontece sempre na pequenez. Assim «Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos» (v. 11), em Caná da Galileia. Não há um gesto estrondoso realizado diante da multidão, nem uma intervenção que resolva um problema político flagrante, como a subjugação do povo à dominação romana. Pelo contrário, numa pequena aldeia, tem lugar um milagre simples, que alegra o casamento duma jovem família, completamente anónima. E contudo a água transformada em vinho na festa de núpcias é um grande sinal, porque revela o rosto esponsal de Deus, de um Deus que Se põe à mesa connosco, que sonha e realiza a comunhão connosco. Diz-nos que o Senhor não Se mantém à distância, mas é vizinho e concreto, está no nosso meio e cuida de nós, sem decidir em nosso lugar nem Se ocupar de questões de poder. De facto prefere encerrar-Se no que é pequeno, ao contrário do homem que tende a querer possuir algo sempre maior. Deixar-se atrair pelo poder, a grandeza e a visibilidade é tragicamente humano, resultando uma grande tentação que procura insinuar-se por todo o lado. Ao passo que é requintadamente divino dar-se aos outros, eliminando as distâncias, permanecendo na pequenez e habitando concretamente a quotidianidade.

Por conseguinte, Deus salva-nos fazendo-Se pequeno, vizinho e concreto. Antes de mais nada, Deus faz-Sepequeno. O Senhor, «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), prefere os pequeninos, a quem é revelado o Reino de Deus (cf. Mt 11, 25); são grandes a seus olhos e, sobre eles, pousa o seu olhar (cf. Is 66, 2). Prefere-os, porque se opõem àquele «estilo de vida orgulhoso» que vem do mundo (cf. 1 Jo 2, 16). Os pequenos falam a mesma língua d’Ele: o amor humilde que os torna livres. Por isso, Jesus chama pessoas simples e disponíveis para serem seus porta-vozes, e confia-lhes a revelação do seu nome e os segredos do seu Coração. Pensemos em tantos filhos e filhas do vosso povo: nos mártires, que fizeram resplandecer a força desarmada do Evangelho; nas pessoas simples, e todavia extraordinárias, que souberam testemunhar o amor do Senhor no meio de grandes provações; nos arautos mansos e fortes da Misericórdia, como São João Paulo II e Santa Faustina. Através destes «canais» do seu amor, o Senhor fez chegar dons inestimáveis a toda a Igreja e à humanidade inteira. E é significativo que este aniversário do Batismo do vosso povo tenha coincidido precisamente com o Jubileu da Misericórdia.

Além disso, Deus é vizinho, o seu Reino está próximo (cf. Mc 1, 15): o Senhor não quer ser temido como um soberano poderoso e distante, não quer permanecer num trono celeste ou nos livros da história, mas gosta de mergulhar nas nossas vicissitudes de cada dia, para caminhar connosco. Ao pensarmos no dom dum milénio abundante de fé, é bom antes de tudo dar graças a Deus, que caminhou com o vosso povo, tomando-o pela mão – como faz um papá com o seu menino –, e acompanhando-o em tantas situações. Isto mesmo é o que nós, também enquanto Igreja, sempre somos chamados a fazer: ouvir, envolver-se e tornar-se vizinho, partilhando as alegrias e as canseiras das pessoas, de modo que o Evangelho se comunique da forma mais coerente e frutuosa, ou seja, por irradiação positiva, através da transparência da vida.

Por fim, Deus é concreto. Das leituras de hoje sobressai que tudo, na ação de Deus, é concreto: a Sabedoria divina age «como arquiteto» e «brinca» (cf. Prv 8, 30), o Verbo faz-Se carne, nasce duma mãe, nasce sob o domínio da Lei (cf. Gal 4, 4), tem amigos e participa numa festa: o Eterno comunica-Se transcorrendo o tempo com pessoas e em situações concretas. Também a vossa história, permeada de Evangelho, Cruz e fidelidade à Igreja, regista o contágio positivo duma fé genuína, transmitida de família para família, de pai para filho e, sobretudo, pelas mães e as avós, a quem muito devemos agradecer. De modo particular, pudestes palpar a ternura concreta e providente da Mãe de todos, que vim aqui venerar como peregrino e que saudamos, no Salmo, como «a honra do nosso povo» (Jdt 15, 9).

É precisamente para Ela que nós, aqui reunidos, levantamos o olhar. Em Maria, encontramos a plena correspondência ao Senhor: e assim, na história, entrelaça-se com o fio divino um «fio mariano». Se existe qualquer glória humana, qualquer mérito nosso na plenitude do tempo, é Ela: é Ela aquele espaço, preservado liberto do mal, onde Deus Se espelhou; é Ela a escada que Deus percorreu para descer até nós e fazer-Se vizinho e concreto; é Ela o sinal mais claro da plenitude do tempo.

Na vida de Maria, admiramos esta pequenez amada por Deus, que «pôs os olhos na humildade da sua serva» e «exaltou os humildes» (Lc 1, 48.52). E nisso tanto Se deleitou, que d’Ela Se deixou tecer a carne, de modo que a Virgem Se tornou Progenitora de Deus, como proclama um hino muito antigo que há séculos vós Lhe cantais. A vós que ininterruptamente vindes ter com Ela, acorrendo a esta capital espiritual do país, continue a Virgem Mãe a mostrar o caminho e vos ajude a tecer na vida a teia humilde e simples do Evangelho.

Em Caná, como aqui em Jasna Góra, Maria oferece-nos a sua proximidade e ajuda-nos a descobrir o que falta à plenitude da vida. Hoje, como então, fá-lo com solicitude de Mãe, com a presença e o bom conselho, ensinando-nos a evitar arbítrios e murmurações nas nossas comunidades. Como Mãe de família, quer-nos guardar juntos, todos juntos. O caminho do vosso povo superou, na unidade, tantos momentos duros; que a Mãe, forte ao pé da cruz e perseverante na oração com os discípulos à espera do Espírito Santo, infunda o desejo de ultrapassar as injustiças e as feridas do passado e criar comunhão com todos, sem nunca ceder à tentação de se isolar e impor.

Nossa Senhora, em Caná, mostrou-Se muito concreta: é uma Mãe que tem a peito os problemas e intervém, que sabe individuar os momentos difíceis e dar-lhes remédio com discrição, eficácia e determinação. Não é patroa nem protagonista, mas Mãe e serva. Peçamos a graça de assumir a sua sensibilidade, a sua imaginação ao servir quem passa necessidade, a beleza de gastar a vida pelos outros, sem preferências nem distinções. Que Ela, causa da nossa alegria e portadora da paz por entre a abundância do pecado e as turbulências da história, nos obtenha a superabundância do Espírito para sermos servos bons e fiéis.

Pela sua intercessão, que se renove, também para nós, a plenitude do tempo. De pouco serve a passagem do antes ao depois de Cristo, se permanece uma data nos anais da história. Possa realizar-se, para todos e cada um, uma passagem interior, uma Páscoa do coração para o estilo divino encarnado por Maria: agir na pequenez e acompanhar de perto, com coração simples e aberto.

Fonte: Vaticano

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Simples e humilde

Deus atua no simples e no humilde

“Eu olho para este, para o pobrezinho de alma abatida, que treme ao ouvir a minha palavra.” Is 66,2

Essa é uma verdade que a cada dia tem penetrado com mais força no meu coração: a graça de Deus atua com mais força no coração simples e humilde. A cada dia tenho buscado ser mais assim. Ainda há um grande caminho a percorrer…

simplesDeus ama o humilde: escolheu Israel, um dos povos mais insignificantes para fazer a sua Aliança e depositar os seus benefícios. Muitos dos eleitos por Deus eram pessoas simples. Maria, a eleita por excelência, vivia em um humilde povoado, Nazaré. Jesus abaixou-se e serviu em toda a sua vida (ver Fl 2, 6-8), propondo a humildade como caminho de santidade.

Ele condena a falsa humildade disfarçada de modéstia, atitude muito típica dos fariseus. Isso fica muito claro na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14), que gostaria de refletir brevemente a seguir.

 

O fariseu: expressão da falsa humildade

Orava de pé, dando graças a Deus por todas as suas virtudes, por ser “justo”. Sua oração na verdade é um monólogo, onde se vangloria por tudo de bom que faz, agradece por não ser como aquele publicano, um pecador.

Poderíamos dizer que o fariseu é a encarnação do perfeccionismo, onde não há espaço para nenhuma impureza, imperfeição. No fundo ele não precisa de Deus, é autossuficiente: já não há espaço para a graça.

Na vida dele não há espaço para Jesus. Acredita que não pode fazer nada por ele. Vive fechado na sua torre de marfim de autossuficiência e de justiça pessoal. O seu maior pecado, segundo Jesus, é não conseguir ver a sua miséria (cf. Jo 9, 40-41).

O publicano: coração onde a graça atua com toda a sua força

Por outro lado, vemos a oração do publicano, de cabeça baixa, batendo no peito e reconhecendo-se pecador e pedindo com muita humildade a misericórdia de Deus.

Parece que nem percebeu a presença do fariseu. Só olha a Deus e a si mesmo e sob sua luz, reconhece a sua condição: pecador. Sabe de sua pequenez e mostra a sua fragilidade sem medo, sem máscara, sem nenhuma justificativa.

Ele escolhe o caminho da humildade, o de Jesus: abaixar-se para elevar-se. E quem sai justificado já sabemos…

Percorrendo com Maria o caminho da humildade

O primeiro passo para crescer na humildade é ser sincero comigo mesmo e reconhecer que muitas vezes tenho atitudes como a do fariseu. Com que facilidade me creio muito bom e julgo os outros…

O segredo para ser curado aprendemos do publicano: reconhecer-se frágil e colocar-se totalmente nas mãos de Deus, que pouco a pouco pode me purificar e me converter em um outro Cristo.

E como percorrer esse caminho? Na escola de Maria, a mulher humilde.

Peçamos que a Mãe nos ensine a ser cada dia mais humilde. Deixemos que Ela nos conduza pelos caminhos do seu Filho.

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